Sobre a Iniciativa
Clima e Desenvolvimento:
Visões para o Brasil 2030

A Iniciativa Clima e Desenvolvimento: Visões para o Brasil 2030 é um processo idealizado e liderado pelo Instituto Clima e Sociedade, pelo Centro Clima da UFRJ e pelo Instituto Talanoa, visando criar cenários e visões de futuro para um Brasil de baixo carbono. É composta por pessoas e instituições que têm em comum a convicção de que a agenda de desenvolvimento do Brasil deve ser compatível com o objetivo do Acordo de Paris. 

 

O processo parte da criação de cenários de emissões e indicadores macroeconômicos para tornar a Contribuição Nacional Determinada (NDC) brasileira um instrumento de planejamento econômico alinhado ao Acordo de Paris e criar uma nova visão de desenvolvimento para o Brasil.

Oceano
Clima-Desenvolvimento_Mat-Apoio_Icones-06.png

Perguntas frequentes

1

Quais desafios motivaram a criação da Iniciativa Clima e Desenvolvimento?

A Iniciativa Clima e Desenvolvimento é composta por pessoas e instituições que têm em comum a convicção de que a agenda de descarbonização é central para um novo e urgente modelo desenvolvimento para o Brasil, compatível com o Acordo de Paris e uma Contribuição Nacional Determinada (NDC) cada vez mais ambiciosa. A necessidade surge dos desafios impostos pelo contexto atual:

A. Considerando que a descarbonização não deve ser simplesmente uma obrigação relacionada com o Acordo de Paris, o qual o Brasil é signatário, e sim o resultado de um planejamento nacional de desenvolvimento de baixo carbono;

B. Considerando que as mudanças climáticas trazem oportunidades e desafios fundamentais para os principais setores econômicos nacionais;

C. Considerando a NDC um instrumento fundamental de escolhas e planejamento de um projeto de desenvolvimento nacional de médio e longo prazos;

D. Considerando que o processo de elaboração e de proposição de visões de futuro para o país deve ser participativo, contemplando todos os setores da sociedade: setor privado, governos subnacionais, Congresso, academia, ONGs, movimentos sociais, trabalhadores, juventudes etc.:

E. Considerando que a NDC apresentada pelo Governo Brasileiro, apesar de manter as metas percentuais, aumenta o volume de emissão projetada para 2025 e 2030 em comparação com as metas submetidas em 2015;

F. Considerando que sem uma trajetória e agenda de desenvolvimento de baixo carbono consistente e assertiva quanto aos seus interesses nacionais e à sua inserção global, o Brasil poderá estar exposto a barreiras políticas e econômicas restritivas às suas prioridades de comércio e investimentos internacionais;

G. Considerando a importância de alinharmos a descarbonização com metas de desenvolvimento internas, como a redução das desigualdades, melhoria de qualidade de vida da população, construção de uma economia internacionalmente competitiva, entre outras;

H. E finalmente, considerando a necessidade de pactuação de uma agenda de desenvolvimento sustentável para um debate político qualificado em clima durante a eleição de 2022 e participação ativa do Brasil nas COPs.

2

Qual é o objetivo da Iniciativa?

Apresentar cenários de desenvolvimento inclusivos com foco no alcance de um país carbono neutro em 2050, acompanhado de passos concretos que precisam ser dados nessa direção. A década de 2020-2030 é estratégica para a consolidação de visão e das principais rotas de descarbonização e adaptação dos países signatários de Paris. Sob essa perspectiva, o interesse é buscar identificar e propor as oportunidades e desafios do Brasil para a definição do seu processo de desenvolvimento de baixo carbono, considerando o quadro de desigualdades sociais que assola o país. Por isso, é essencial que planos concretos sejam discutidos e propostos à luz dos interesses locais, nacionais e das responsabilidades globais de enfrentamento às mudanças climáticas.

3

Quais as mensagens-chaves da Iniciativa?

  • As mudanças climáticas já são uma realidade. Temos até 2030 para evitar um cenário de perdas irreversíveis. Por isso, a Iniciativa quer unir atores-chaves da sociedade brasileira para construir, de forma colaborativa, propostas de um modelo de desenvolvimento inclusivo para o país, focado na descarbonização.

  • O desenvolvimento econômico e a descarbonização não são forças antagônicas. Muito pelo contrário, a descarbonização oferece oportunidades de crescimento econômico, redução de desigualdades e reposicionamento do país frente a um futuro global sem emissões de GEEs.

  • A descarbonização também precisa estar alinhada com outros desafios centrais do país, entre eles a redução de desigualdades, a melhor da qualidade de vida e o posicionamento competitivo do país em uma economia global do futuro.

  • O Brasil precisa ser mais ambicioso em suas metas climáticas e proteger sua população e seus recursos naturais. Por isso, políticas climáticas devem constar nas propostas e compromissos assumidos pelos candidatos à presidência e governos estaduais nas eleições de 2022. 

  • A sociedade brasileira está cada vez mais consciente do desafio climático e precisa se preparar para enfrentá-lo em conjunto com a comunidade internacional. O Brasil tem grande potencial para liderar a agenda de descarbonização em nível global nesta década e se beneficiar com a transição para uma economia de baixo carbono. 

  • O setor empresarial cada vez mais reconhece que o cumprimento das metas climáticas traz ganhos econômicos, ambientais, sociais e reputacionais para o Brasil e, por isso, cresce sua contribuição para o alcance da neutralidade climática até 2050.

4

Qual é o principal diferencial dessa Iniciativa? (Ou o que diferencia a iniciativa de outros movimentos já existentes?) Quais são os benefícios e oportunidades para a minha instituição/organização ao aderir a essa Iniciativa?

Oportunidade de reunir mais de 300 lideranças técnicas e políticas dos mais diversos setores em torno desse propósito, em um momento de demanda por espaços amplos e representativos de discussão sobre a descarbonização da economia brasileira. Lideranças essas que, se forem expostas a tais cenários, poderão trazer elementos dessa agenda para o desenvolvimento do país. Há outras iniciativas. Nosso intuito é reuni-las em um espaço seguro para trocas sobre um novo projeto de desenvolvimento nacional.

5

Há diálogo com outras iniciativas já existentes?

Sim. Outras redes e coalizões fazem parte da Iniciativa, integrando seus conselhos Executivo e de Política Externa, que podem ser encontrados em detalhe na sessão “Quem Somos”. Os documentos apresentados pela Iniciativa não são concorrentes a outras propostas que também serão levadas à COP por outras iniciativas. São complementares.

6

A Iniciativa pretende se transformar numa nova rede?

Não, a ideia é incluir as redes já existentes para serem multiplicadoras e trazerem contribuições à Iniciativa.

7

Qual é o objetivo do Comitê Técnico?

  • Aprimorar as narrativas de cenários pertinentes para o estudo com base em indicadores macroeconômicos;

  • Selecionar os valores das hipóteses quantitativas em cada setor para sua modelagem matemática;

  • Validar tecnicamente os resultados obtidos pela modelagem para cada cenário;

  • Apontar as barreiras à realização dos cenários e os instrumentos de política pública para sua superação.

8

Qual o papel do Comitê de Política Externa?

  • Avaliação Política;

  • Sugestões de Ações e Estratégias;

  • Conexões de temas, redes e frentes de trabalho;

  • Análise da situação com os públicos-chave.

9

Qual é o objetivo do Comitê de Política Climática?

  • Ativar a sociedade brasileira para a agenda de mudança do clima, em torno da reflexão de trajetórias de transição justa para uma economia de zero carbono no Brasil, por meio da discussão sobre os cenários de mitigação de médio e longo prazo elaborados no Comitê Técnico;

  • Criar um ambiente seguro, dentro de regras de anonimato, para uma discussão ambiciosa sobre o futuro de descarbonização do país.

  • Identificar decisões chave que precisam ser tomadas no curto e médio prazo para realinhar o modelo de desenvolvimento do país com a redução de emissões.

  • Oferecer propostas de políticas que visem a um novo projeto de desenvolvimento nacional. 

  • Trazer uma multiplicidade de visões em termos econômicos, territoriais, de gênero, raça, etnias, entre outros.

10

Qual o papel do Comitê Jurídico?

  • Aprimorar as narrativas de cenários pertinentes para o estudo;

  • Selecionar os valores das hipóteses quantitativas em cada setor para sua modelagem matemática;

  • Validar tecnicamente os resultados obtidos pela modelagem para cada cenário;

  • Apontar as barreiras à realização dos cenários e os instrumentos de política pública para sua superação.

11

Esse documento é uma proposta para substituir a NDC apresentada pelo governo federal? A Iniciativa representa uma oposição ao governo federal?

Não. Entendemos que a NDC não deveria ser uma política de redução de Gases de Efeito Estufa (GEE) e, sim, uma política de transição para zero carbono, sendo resultado de um planejamento nacional que considere metas ambiciosas, em alinhamento com o Acordo de Paris. Acreditamos também em uma estruturação de uma proposta abrangente e factível, com o envolvimento de toda a sociedade brasileira, em um espaço de participação ampla que envolva todos os espectros políticos e que não deixe ninguém para trás, envolvendo, portanto, os grupos e redes de pessoas que serão mais impactados com a emergência climática. A NDC entregue pelo governo não refletiu essa vontade (2020). E a NDC anterior (2015) não foi implementada. No entanto, o objetivo da Iniciativa não é se sobrepor ao que já foi feito, ou contestar os números apresentados, mas refletir em torno de novas trajetórias de transição justa para uma economia de zero carbono no Brasil, e de propostas de políticas que visem um novo projeto de desenvolvimento nacional.

12

Quem já faz parte da Iniciativa?

Todos os membros da Iniciativa podem ser encontrados na aba “Quem Somos”.

13

Estamos mirando em 2030 ou 2050?

Os cenários detalham narrativas, hipóteses e resultados para 2025 e 2030. Nesses anos há compromissos de redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) do Brasil no Acordo de Paris, sendo que os cenários de mitigação adicional CMA1 e CMA2 se inserem em trajetórias que levam a emissões líquidas de Gases de Efeito Estufa (GEE) nulas em 2050.

14

A apresentação na COP é a linha de chegada da iniciativa?

Não, é o ponto de partida e um marco importante nas decisões nacionais e globais ao redor do tema. A iniciativa continuará em 2022.

15

O Comitê Técnico elaborará apenas um cenário?

O Comitê Técnico-Científico está trabalhando com 3 cenários: 

        1.  Referência: retomada do desenvolvimento econômico e social do Brasil;

        2.  Mitigação Adicional 1 (CMA1): retomada do desenvolvimento econômico e social do Brasil com a transição justa para uma economia de baixo carbono, rumo a emissões líquidas de gases de efeito estufa nulas em 2050;

        3.  Mitigação Adicional 2 (CMA2): retomada do desenvolvimento econômico e social do Brasil com a transição justa para uma economia de baixo carbono, rumo a emissões líquidas de gases de efeito estufa nulas em 2050 e com aceleração do combate ao desmatamento, de modo a zerar as taxas anuais de desmatamento na Amazônia e na Mata Atlântica em 2030 (diminuindo moderadamente nos outros biomas).

16

Qual o processo de construção dos cenários propostos?

O processo de construção dos cenários se iniciou com a proposição inicial pela equipe técnica do Centro Clima de uma versão inicial.  Os especialistas do Comitê Técnico Setorial forneceram seus comentários e sugestões de aprimoramento. Os cenários foram apresentados pela equipe do Instituto Talanoa e do Centro Clima ao Comitê de Política Climática, que também forneceu seus comentários e sugestões de aprimoramento. O Centro Clima integrou as contribuições recebidas dos 2 Comitês numa segunda versão do estudo. Neste caso, por exemplo, houve a elaboração de um mais um cenário (CMA2), por solicitação do Comitê de Política Climática. A segunda versão foi novamente apresentada aos 2 Comitês para sua validação. Após os novos ajustes solicitados, uma versão final do estudo foi apresentada em sessão plenária para os 2 Comitês e aprovada para divulgação.

17

Qual o produto final esperado?

O produto final está disponível na aba “Publicações”, onde o relatório final e o sumário executivo podem ser baixados.

18

Quais resultados se esperam ao final da mobilização?

Por meio da elaboração de cenários e discussões políticas entre multi-atores, espera-se contribuir com fatos e propostas factíveis para a transição justa à economia de baixo carbono no Brasil em 2030. Acreditamos que toda a sociedade pode — e deve — sentar à mesa para debater os caminhos e oportunidades frente aos desafios complexos advindos das Mudanças Climáticas.  

19

O que acontece com a Iniciativa depois da COP?

Depois da COP26 vamos começar a segunda etapa da Iniciativa, que é levar as propostas de cenários desenvolvidos na primeira fase para serem discutidas no âmbito dos preparativos das eleições de 2022, além de um contínuo aprofundamento técnico ao redor de temas e políticas chave. Queremos levar as propostas para os pré-candidatos à Presidência da República, aos candidatos aos governos estaduais, aos partidos políticos e, logicamente, estimular a continuidade de um debate público e qualificado de um projeto de longo prazo para o Brasil com crescimento econômico e justiça social, e, também, compatível com o Acordo de Paris.